Quando os aviões deixarem de passar no céu
E você não mais precisar reclamar do sinal da TV
Não vai ter ninguém pra te salvar da solidão
Sequer solidão pra chamar de nossa
Abri a gaveta atrás de remédios pra dor
E encontrei uma última leva de cartas
Toda aquela mágoa em tipografia bonita
Mas que não consegue disfarçar as lágrimas
Distante assim espero o entardecer da alma
Todo aquele tempo em que dizem para me preocupar
Pois terei saudade do que hoje sinto
Dessa liberdade de olhar o céu sem desespero
Se não vejo futuro para os carros estacionados
Ou para os tiozinhos do jogo do bicho
Por que teria de enxergar algum pra mim?
Sigo em frente errante, tentando ver o mundo
Sob uma fresta da porta que me abrem
E atrás da qual me escondo ansioso
Pois qualquer dia que arrancam de lá
E não terei céu pra olhar ou chão pra pisar
Um dia eu tive um sonho bom
Que poderei contar aos ouvidos que encontrar
E que ainda bebo pra esquecer
Mesmo que a alma insista em guardar
Ele acabou quando você desceu daquele carro.
Errante
~domingo, 29 de janeiro de 2012~
por Robson Assis às 15:39
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