soltos #001

~quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012~

Muito confuso pra dizer se é certo
Muito certo pra dizer que posso esquecer

Poema em vão

~domingo, 29 de janeiro de 2012~


Se você deixasse surgir uma luz
Que transpassasse qualquer espécie de erro em mim
Eu seria mais você do que eu mesmo
Teria todos os sonhos que existem
Na terra desses homens a esmo.

Fosse eu da ternura um algoz
Ou da canção lírica o martírio
Não me bastariam fronteiras para interromper
Toda essa normalidade necessária
De ser outro, e pudesse me esquecer

[Mas é de ouro toda essa incerteza]

Sonhos errados que tento me eximir
De cair na rua à beira de um abismo constante
E voltar pra casa sabendo que morri
Ao menos sou eu, e não outro.

Todas as fronteiras materiais a parte
Queria a chance de te dar tudo que há em mim
E me livrar do peso de ser esse
A quem dia desses cairá em eterno esquecimento

Se a chuva me permitisse uma conversa
E dos ventos me trouxesse abrigo
Nada disso, preta, nada disso
Seria apenas outro poema em vão.

Errante


Quando os aviões deixarem de passar no céu
E você não mais precisar reclamar do sinal da TV
Não vai ter ninguém pra te salvar da solidão
Sequer solidão pra chamar de nossa

Abri a gaveta atrás de remédios pra dor
E encontrei uma última leva de cartas
Toda aquela mágoa em tipografia bonita
Mas que não consegue disfarçar as lágrimas

Distante assim espero o entardecer da alma
Todo aquele tempo em que dizem para me preocupar
Pois terei saudade do que hoje sinto
Dessa liberdade de olhar o céu sem desespero

Se não vejo futuro para os carros estacionados
Ou para os tiozinhos do jogo do bicho
Por que teria de enxergar algum pra mim?

Sigo em frente errante, tentando ver o mundo
Sob uma fresta da porta que me abrem
E atrás da qual me escondo ansioso
Pois qualquer dia que arrancam de lá
E não terei céu pra olhar ou chão pra pisar

Um dia eu tive um sonho bom
Que poderei contar aos ouvidos que encontrar
E que ainda bebo pra esquecer
Mesmo que a alma insista em guardar

Ele acabou quando você desceu daquele carro.